O mês de Fevereiro de 2021 foi um regresso aos bons tempos de 2019, onde voltou a agitação, a Sheik Zayed Road parecia frenética, e a economia começou a dar sinais de retoma. O medo de parar fez com que o relógio não tivesse suspenso. A necessidade de andar em frente é sempre um ponto comum na população e nos líderes dos EAU.

O que é que persiste? As medidas preventivas, as máscaras, distância social, e, acima de tudo, o sentido cívico.

Ao olharmos atentamente pela janela da nossa viagem sentimos nos EAU uma energia e experiência imensamente diferente do que se está a viver no resto do globo. O investimento na população, na economia, nos seus cidadãos que vieram para este país com o objetivo único e claro de trabalhar e garantir o futuro, parece estar a ter um resultado positivo e à vista de todos.

Os factos são claros e transparentes: 65% da população (9,613 milhões) já se encontra vacinada (estando em segundo lugar depois de Israel), o sucesso da operação do satélite HOPE que entrou na órbita de Marte, há umas semanas atrás, as maiores feiras alimentares (Gulfood) e de defesa (IDEX) aconteceram e não foram virtuais, a Expo 2020 já abriu em modo ‘soft opening’ com o Pavilhão da sustentabilidade e outros sinais de retoma são reveladores de que a viagem se está a tornar mais confortável e, quem sabe, mais sustentável a longo prazo.

A IDEX é uma das maiores feiras de defesa no mundo e reuniu, pela primeira vez pós COVID, dezenas de milhares de especialistas, líderes e executivos, de mais de 80 países, e com uma afluência muito parecida com edições passadas. O resultado foi o anúncio de vários investimentos na ordem dos 5.7 mil milhões, que demonstra que o sector da defesa é parte da visão de diversificação estratégica dos EAU.

Na mesma semana, acontecia a Gulfood, a maior feira alimentar da região, que reuniu 2500 expositores de culinária e gastronomia. A feira contou, não só com 27 empresas portuguesas no Pavilhão de Portugal, mas também algumas marcas voando solo, como é o caso da Sugal, que tem sido presença assídua há já uns anos e que mantém o seu compromisso de aposta internacional.

Estes eventos sempre foram relevantes para a região, mas o facto de terem acontecido presencialmente, e de os organizadores terem conseguido fazer acontecer no início de 2021, com todas as medidas de segurança obrigatórias, é de facto um feito e um sinal de esperança para o mundo inteiro, que há muito quer voltar à normalidade do mundo físico.

Durante o último mês houve outros eventos e acontecimentos presenciais e virtuais relevantes no país, e muitos irão acontecer nos próximos meses e anos, porque a verdade é que a viagem não pode parar, independentemente dos ‘loopings’, e tem que ser cada vez mais preponderante e focada numa visão de continuidade e aposta numa estratégia diversificada. 

Por Cristina Ramos, Consultora em Comunicação & Finance and Human Resources Director at Multilem Middle East

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